Antes de nos tornarmos pais, temos geralmente princípios educativos muito definidos e a maior parte das vezes inabaláveis. Quando temos filhos, temos de os adaptar. Ou de os esquecer. Ou até mesmo de rever totalmente as nossas posições. Ter um bebé nunca é como imaginamos…Aborrecer as amigas com histórias de bebés…
Ah, as amigas, para quem o mundo se reduziu à dimensão de um berço e que não falam de mais nada a não ser biberões e fraldas… Que maçada! Olhamo-las um pouco aterradas e prometemos a nós próprios nunca ter tal comportamento. Mas esperem pela vossa vez! No dia em isso vos acontecer, vão perceber que se encontram noutro planeta. (…) Descobrirão um novo olhar sobre o mundo, sentir-se-ão derretidas de amor por aquele pequeno ser que partilha a vossa vida.(…)
Aprendam a dosear as demonstrações de mães babadas. Quando almoçarem com a prima solteirona saibam ouvir o que ela vos diz e escolher temas de conversa que tenham interessa às duas.
Dar-lhe uma chucha. Ver crianças em idade de falar com aquela geringonça na boca põe-me doida!
A chucha pode impedir a criança de se exprimir bem e pode ter consequências na dentição, é verdade. Mas não vamos diabolizá-la. Dar uma chucha ao seu bebé de tempos a tempos ajuda-o a acalmar-se. Utilize-a com bom senso. A partir dos quatro meses reserve-a para os momentos em que sente que o bebé tem vontade de chuchar. Se ele chorar, procure primeiro perceber porquê em vez de lhe enfiar logo a chucha na boca.
O excesso de brinquedos. Ele não tem necessidade de tantos para ser feliz
Pensamos que estamos a dar prazer aos nossos filhos quando lhes oferecemos coisas em abundância, mas na realidade estamos a prestar-lhes um mau serviço. È a raridade das coisas que as faz ter mais valor. Submersa em brinquedos, a criança não sabe qual há-de escolher para se entreter.
Dar-lhe uma palmada. A violência não tem nenhuma vertente educativa. Não há nada que se consiga obter por esta via.
É um pouco presunçoso da nossa parte pensar que basta falar para nos fazermos obedecer. Ora, é normal que uma criança tenha a sua personalidade e não aceite tudo! Tirando o pequeno pormenor que uma criança que se opõe à nossa vontade…é difícil de aturar. Todos temos a nossa dose de tolerância. Mas há uma altura em que a água entorna e os adultos acabam por gritar. Os pais desculpam-se… “ele pôs-me fora de mim”. Perder a cabeça, gritar, dar uma palmada, são sempre sinais de alguma mal-estar, seja porque as ordens que demos não foram respeitadas ou não foram entendidas. O melhor é evitar o choque frontal e optar por uma estratégia de contorno ou de punição. (Não queres jantar? Vai ficar frio. »» Não vês desenhos animados depois do jantar.)
Levá-la às vacinas sem a avisar e ficar com a sensação de que está a trais a criança.
É preciso explicar sempre, mas sempre, a uma criança o que se vai passar – sobretudo se se trata de uma coisa desagradável. Senão, arrisca-se a que ela perca a confiança em si. Mas atenção, não há necessidade de entrar em pormenores que podem ser mal entendidos. Diga-lhe, simplesmente, que vai evitar que tenha doenças perigosas e a enfermeira vai fazer-lhe doer um bocadinho. Mas que a dor não dura muito e depois vão lanchar. Mesmo os bebés de colo podem ser prevenidos. Podem não perceber o significado das palavras, mas entendem as vibrações e captam a mensagem.
Programas a dois são essenciais.
Não somos apenas pais. Temos de recarregar a vida amorosa. Para o vosso bem mais que a do bebé. Vai recordar-lhe que é filho de uma casal ( e de um casal que se ama!).
Texto de Dominique Henry da revista nm
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